O LADO OCULTO - Jornal Digital de Informação Internacional | Director: José Goulão

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ACORDO DO AFEGANISTÃO É A DERROTA DA NATO

Consta dos anais diplomáticos dos finais dos anos sessenta do século passado que os Estados Unidos reconheceram a sua derrota militar no Vietname a partir do momento em que cederam perante as partes vietnamitas na discussão sobre o formato da mesa de conversações em Paris – que, na prática, reconheceu o Governo Revolucionário Provisório do Vietname do Sul. Cinquenta anos depois, a assinatura de um acordo com os Talibã em Doha, no Qatar, é a confissão da derrota norte-americana na sua mais longa guerra, a do Afeganistão. Uma derrota que não é apenas dos Estados Unidos mas também da NATO – logo dos próprios governos que integram a aliança.

O MITO ATERRADOR DA GUERRA NUCLEAR LIMITADA

Existem muitos apoiantes influentes da guerra nuclear e alguns deles afirmam que o uso de armas de “baixo rendimento” e/ou de curto alcance pode ser assumido sem o risco de uma escalada para o Armagedão total. De certa forma, o seu argumento é comparável ao do grupo de optimistas de olhos em alvo que pensavam, aparentemente a sério, que poderia haver qualquer coisa como “rebeldes moderados”.

QUEM ESCONDE O PAPEL DA NATO NA TRAGÉDIA DA LÍBIA?

Quem acompanha os acontecimentos na Líbia através dos media corporativos poderá ser levado a pensar que a guerra entre os governos de Benghazi e Tripoli, cada um deles apoiado pela sua parte de governos estrangeiros sedentos das reservas de petróleo do país, surgiu agora de uma banal luta pelo poder. Uma cuidada conspiração do silêncio gerida pela comunicação social dominante, escudada na memória tradicionalmente curta dos seus consumidores, faz com que assim seja. No entanto, o caos reinante e onde avultam muitos a rentáveis tráficos escabrosos, entre eles o de escravos, foi gerado por uma coligação militar da NATO com terroristas islâmicos das famílias al-Qaida e Estado Islâmico. Ao contrário do jornalismo/propaganda, a História cultiva a memória.

NATO CERCA E PROVOCA A RÚSSIA NO ÁRTICO

Em Março, cerca de 7500 efectivos de combate norte-americanos viajam para a Noruega, onde se juntarão a milhares de soldados de outros países da NATO numa imensa batalha simulada contra forças “invasoras” russas. Neste empenhamento com carácter futurista – que tem o nome de Cold Response (Resposta Fria) 2020 – as forças aliadas “realizarão exercícios multinacionais conjuntos num cenário de combate de alta intensidade em exigentes condições de Inverno”, explicam os militares noruegueses. À primeira vista parece ser mais um dos jogos de guerra da NATO mas, pensando melhor, o Cold Response 2020 nada tem de comum. Em primeiro lugar, é encenado acima do Círculo Polar Ártico, longe de qualquer anterior campo de batalha tradicional da NATO; e eleva para um novo nível a possibilidade de um conflito de grandes dimensões que pode terminar num confronto nuclear e na aniquilação mútua. Bem-vindos, por outras palavras, ao mais novo campo de batalha da Terceira Guerra Mundial.

PROPAGANDA BRITÂNICA ENCENA A GUERRA DA SÍRIA

A informação supostamente com origem na “oposição da Síria” divulgada pela comunicação social corporativa a propósito da guerra contra este país é gerada por um tentacular sistema de propaganda montado pelo governo britânico em conjunto com empresas privadas pertencentes a ex-oficiais das forças armadas e dos serviços secretos de Londres. As provas constam de documentos oficiais resultantes de fugas de informação recentes.

O ENIGMÁTICO “ACORDO DE PAZ” NO AFEGANISTÃO

Quase duas décadas depois da invasão e ocupação do Afeganistão a seguir ao 11 de Setembro e após uma guerra interminável que custou mais de mais de dois biliões (milhões de milhões) de dólares é difícil não haver nada de "histórico" num possível acordo de paz entre os Estados Unidos e os Talibã na cidade de Doha, no Qatar.

NATO ANEXA A MACEDÓNIA DO NORTE

Depois de ter manipulado os resultados de um referendo que não corresponderam aos seus interesses e de ter imposto a nova designação do nome do país – com a cumplicidade do Syriza na Grécia – a NATO acaba de anexar a Macedónia do Norte através da aprovação do “Protocolo de Adesão”, consumada por um Parlamento absolutamente domesticado. Isto é, depois de ter “balcanizado” os Balcãs com a guerra de esfacelamento da Jugoslávia, a NATO “desbalcaniza” agora a região, unindo-a sob a sua própria bandeira. De fora está apenas a Sérvia – e espoliada do Kosovo através de uma agressão militar da aliança.

O WESTLESSNESS OU UMA CRISE EXISTENCIAL DO COLONIALISMO

Westlessness. Poderá traduzir-se como o défice de Ocidente na cena internacional e foi o mote escolhido para a Conferência de Segurança de Munique deste ano, em 16 e 17 de Fevereiro, como sempre uma organização associada à NATO. Percebeu-se, pela escolha desta temática, que o Ocidente vive uma crise existencial, com saudades de tempos recentes em que podia destroçar a Jugoslávia, bombardear a Sérvia, arrasar o Afeganistão, desmembrar o Iraque e a Líbia sem ter contraditório. Na origem da inquietação ocidental está, como foi abundantemente aflorado como eco da exposição do chefe do Pentágono, a crescente presença da Rússia e da China na arena internacional - que se reflecte no aparecimento de um efeito dissuasor da impunidade colonial. Não admira, portanto, e perante a presença de convidados “inimigos”, que às tantas à conferência tivesse parecido um diálogo de surdos.

AVENTURAS E DESVENTURAS DO SULTÃO ERDOGAN NA GUERRA DA SÍRIA

O chefe do regime fundamentalista turco, Recep Tayyip Erdogan, é o responsável pela reactivação da guerra da Síria através do seu crescente envolvimento militar, ao lado dos terroristas, para impedir que a província de Idleb seja libertada pelas tropas de Damasco. Ao fazê-lo, o sultão neo-otomano cumpre orientações geoestratégicas de Washington, contra movimentos russos e chineses em direcção ao Mediterrâneo Oriental, mas caiu no que pode ser uma armadilha: sob o poder aéreo russo, as tropas ocupantes turcas estão cercadas pelo Exército Sírio por todos os lados menos por um: o que permite o regresso ao seu país. As “linhas vermelhas” de Damasco e, sobretudo, de Moscovo quanto ao que Ancara tem a fazer, no âmbito do acordo de Sochi de 2018, são irredutíveis.

TURQUIA INVADE SÍRIA PARA SALVAR AL-QAIDA

Reintegrando-se plenamente na estratégia norte-americana e da NATO de impedir o restabelecimento da soberania da Síria sobre a totalidade do território do país, assegurando assim a continuação da guerra, a Turquia está a efectuar uma verdadeira invasão militar do país vizinho com tropas e armamento pesado. Apoiando todos os grupos terroristas infiltrados na região, extremistas ou “moderados”, as tropas turcas têm vindo a entrar em confronto directo com o exército regular da Síria para evitar, a todo o custo, a libertação total da província de Idleb e de zonas da província de Alepo em poder da al-Qaida. A Rússia tenta ainda reduzir o nível de violência, mas há registo do envolvimento de tropas invasoras norte-americanas em acções contra populações sírias. A estratégia da NATO na região é cada vez mais perigosa.

O TERRORISMO E A MÃE DE TODAS AS MENTIRAS

Uma mentira esteve na base da recente escalada de violência no Médio Oriente que culminou com o assassínio do general iraniano Qasem Soleimani. Suspeitava-se de que assim era, mas o apuramento mais pormenorizado de factos e circunstâncias confirmam-no. O mainstream global evita abordar os acontecimentos segundo este novo ângulo – apesar de o New York Times o ter feito - porque seria obrigado a substituir toda a conveniente narrativa montada. Porém, o que na realidade aconteceu foi: os terroristas do Estado Islâmico realizaram a operação que serviu de pretexto a Trump e ao Pentágono para assassinarem o maior inimigo do Estado Islâmico – e da al-Qaida.

TURQUIA EM CLIMA DE GUERRA COM A SÍRIA E A RÚSSIA

Os mais recentes avanços das tropas regulares sírias na libertação da região de Idleb deram origem a uma multiplicação de acções militares e diplomáticas da Turquia, com apoio dos Estados Unidos, revelando que a NATO continua a alimentar a desestabilização na Síria. O presidente turco deu agora um prazo até 28 de Fevereiro para as tropas sírias abandonarem as localidades libertadas ultimamente na província de Idleb e estende as ameaças à Rússia. O clima é de guerra.

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