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ITÁLIA E CHINA REJEITAM PRESSÕES DA UE

Os presidentes italiano e chinês, Sergio Matarella e Xi Jinping

2019-03-25

Pilar Camacho, Roma

A Itália ignorou as advertências multiplicadas por Bruxelas, Paris e Berlim e assinou um memorando de entendimento com a China no âmbito da iniciativa “Belt and Road” (Cintura e Rota), que pretende estabelecer itinerários próprios ligando Pequim e a Ásia à Europa e África. Embora não tenham sido divulgados pormenores, sabe-se que o acordo envolve verbas superiores a 20 mil milhões de euros.

O acordo foi assinado sábado, 23, entre os presidentes italiano, Sergio Matarella, e o seu homólogo chinês, Xi Jinping, de visita a Roma durante três dias. A Itália tornou-se o primeiro país do Grupo dos Sete (G7) a estabelecer um acordo próprio com a China, ignorando as pressões que têm vindo a ser exercidas pelos seus principais parceiros ocidentais para não estabelecer plataformas económicas separadas com Pequim.
O presidente italiano sublinhou que a “nova Rota da Seda” – designação histórica associada à actual iniciativa de Pequim - “deve ser utilizada não apenas para o comércio de mercadorias mas também como solução para problemas comuns e projectos futuros”. Xi Jinping afirmou, por seu lado, que “queremos revitalizar a antiga Rota da Seda de modo a partilhar da melhor maneira possível os frutos do progresso da humanidade”.

Ataques à soberania

O tom destas afirmações contrasta com os sinais ameaçadores emitidos da União Europeia, cada vez mais incapaz de lidar com os problemas internos e, por essa razão, necessitando de culpar terceiros por estes.
“Todos devem lembrar-se que a União Europeia e a China não são apenas parceiros mas também competidores”, pelo que será melhor negociar em bloco com Pequim e não individualmente, sentenciou a chanceler alemã, Angela Merkel.
Demonstrado, mais uma vez, quem de facto manda na União Europeia, a Comissão Europeia emitiu um comunicado sobre o mesmo tema usando exactamente as palavras da chefe do governo alemão.
Também o presidente francês não perdeu a oportunidade para apontar o dado a Roma, ainda indisposto com o recente encontro do ministro italiano do Interior, Matteo Salvini, com activistas dos Coletes Amarelos: “O tempo da ingenuidade europeia e das abordagens descoordenadas das questões com a China acabou”, disse. E acusou Pequim de “tirar proveito das nossas divisões”.
Tema retomado pelo chefe do governo holandês, Mark Rutte, para quem “certos negócios com a China podem representar problemas para a Europa”.

Vasta cooperação

Apesar das advertências, a Itália cuidou dos seus interesses nacionais assinando o memorando de entendimento e ainda acordos adicionais em sectores estratégicos como o siderúrgico e a energia. O ex-primeiro ministro italiano Franco Frattini enalteceu o reforço da cooperação com a China, que “tem um elevado significado” para Roma. Ao contrário do eixo europeu dominante, Frattini defendeu que a nova parceria poderá “maximizar os interesses europeus”.
De acordo com a imprensa chinesa, a integração de Itália na iniciativa “Cintura e Estrada” poderá permitir a modernização e a reactivação de alguns portos italianos, entre os quais os de Génova, Trieste, Ravenna e Palermo.


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