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PAI NATAL DE WASHINGTON RECOMPENSA NAZIS

Porochenko com as suas forças especiais; o cavalheiro da esquerda usa uma insígnia das SS hitlerianas (caveira) na farda

2019-01-04

Finian Cunningham, Strategic Culture/O Lado Oculto

Que grande saco com prendas chegou há dias ao regime de Kiev, remetido directamente de Washington! E mesmo a tempo do Natal, apenas algumas semanas depois de o presidente da Ucrânia, Petro Porochenko, ter tentado iniciar uma guerra com a Rússia através de uma provocação naval no Estreito de Kerch.

Em primeiro lugar, o enviado do governo norte-americano, Kurt Volker, anunciou que o Congresso estava a empacotar mais armas de guerra, no valor de 250 milhões de dólares, com destino à Ucrânia. Logo a seguir, instituições financeiras internacionais com sede em Washington, o FMI e o Banco Mundial, assinaram empréstimos no valor de milhares de milhões de dólares ao regime de Poroshenko.
A Rádio Europa Livre, uma instituição de propaganda sobrevivente dos tempos da guerra fria e propriedade do governo norte-americano, qualificou os novos empréstimos financeiros como “uma vitória” de Porochenko. A aparente confiança do investidor, testemunhada através das “agências de desenvolvimento” de Washington, irá certamente impulsionar as perspectivas de reeleição do presidente em exercício na próxima consulta de Março. Até há muito pouco tempo, as sondagens de opinião pareciam estar a preparar o presidente para uma derrota nas eleições. Portanto, nada mais conveniente, no sentido de uma recuperação de “popularidade”, do que uma grande ajuda proporcionada pelo FMI e o Banco Mundial, organizações controladas pelo governo dos Estados Unidos. Será que um apoio com esta envergadura não poderá ser encarado como uma interferência nos assuntos internos de um país?

1250 milhões em armas para o nazismo

Desde o golpe de Estado em Kiev apoiado pela CIA, em Fevereiro de 2014, destituindo o governo eleito de Viktor Yanukovych, calcula-se que os Estados Unidos tenham encaminhado mil milhões de dólares em ajuda militar para a clique que tomou o poder. E as dádivas não se ficam por aí, pois Kurt Volker acaba de anunciar, num Fórum em Bruxelas, que armas no valor de mais 250 milhões vão a caminho.
Para os legisladores norte-americanos não representa qualquer inconveniente que o regime de Kiev seja dominado por demagogos e paramilitares neonazis que adoram Stepan Bandera e outros colaboracionistas ucranianos que participaram na execução da “solução final” montada pelo Terceiro Reich. Muito recentemente, o presidente Porochenko foi fotografado durante uma inspecção às forças especiais da Ucrânia em que alguns dos militares usam insígnias das SS hitlerianas nas fardas (ver foto).
Como o presidente russo, Vladimir Putin, assinalou em conferência de imprensa, o regime de Kiev continua a travar, há mais de quatro anos, uma guerra contra os seus próprios cidadãos da região oriental do Donbass, provocando diariamente a morte de civis.
Uma razão pela qual esta guerra permanece quase desconhecida no Ocidente é porque não constitui notícia para a comunicação social ocidental. E quando aborda o assunto fá-lo de forma distorcida, recorrendo a informações falsas com base no suposto facto de a Rússia ter “invadido a Ucrânia”. Trata-se de um comportamento semelhante ao modo como a imprensa ocidental se “esquece” da guerra do Iémen, ou então a relata de forma distorcida, com atribuição das responsabilidades ao Irão.

Russofobia exterminadora

A guerra conduzida pelo regime da Ucrânia contra a população de origem russa do leste do país é motivada por uma feroz russofobia assumida por Kiev, aliás consistente com a mentalidade exterminadora do Terceiro Reich manifestada pelos seus antecessores que colaboraram com Hitler durante a Segunda Guerra Mundial.
A tolerância criminosa de Washington perante estes comportamentos não tem limites. Ao mesmo tempo que o presidente norte-americano, Donald Trump, anuncia a retirada das suas tropas da Síria (onde permanecem ilegalmente há mais de quatro anos), o seu governo está a intensificar o envolvimento militar na Ucrânia.
Após o incidente de 25 de Novembro no Estreito de Kerch, quando três navios de guerra ucranianos armados violaram a fronteira marítima da Rússia, poderia pensar-se que os apoiantes norte-americanos de Kiev iriam proceder com cautela para não agravar as tensões entre a Ucrânia e Moscovo. Nada disso: os Estados anunciam o reforço do seu apoio, incluindo material de guerra pesado, o que equivale a dar luz verde ao regime ucraniano para prosseguir com as provocações.
O momento escolhido pelo FMI e o Banco Mundial para financiarem a Ucrânia também é reprovável. A primeira tranche dos quatro mil milhões de dólares de dinheiro fresco que o FMI decidiu injectar no regime de Kiev foi desembolsada precisamente por alturas do Natal. Em conjunto, os empréstimos do Fundo e do Banco Mundial permitirão que o regime de Kiev tente assumir novas dívidas junto de outras fontes internacionais, uma vez que a sua aprovação pode funcionar como uma chancela de “economia sólida”.
A Ucrânia debate-se já com uma imensa dívida soberana. O FMI e o Banco Mundial contribuem, portanto, para afundar o país em atrasos ainda mais profundos. Cumpre-se desta maneira, sem dúvida, o padrão desgastante com que o capital ocidental costuma despojar os países das suas riquezas, remetendo as populações para a condição de reféns das dívidas.

A ONU ainda existe?

Há também graves questões jurídicas envolvidas. As instituições de Bretton Woods, como o FMI e o Banco Mundial, estão oficialmente ligadas às Nações Unidas e, como tal, proibidas de emprestar dinheiro a países envolvidos em conflitos armados. Como é então possível que as citadas instituições financiem o regime de Kiev, responsável pelo catastrófico assalto às comunidades do leste da Ucrânia, inegável seguidor de ideologias e comportamentos nazis, intérprete de tentativas descaradas para provocar uma guerra com a Rússia?
Além disso, os empréstimos do FMI tinham sido supostamente suspensos em 2017 porque o regime de Kiev não cumpria as exigências sobre combate à corrupção e não implementava as necessárias reformas políticas. No entanto, de então para cá, a corrupção económica e política em território ucraniano tornou-se um problema ainda mais grave, galopante até. Apesar disso, o FMI e o Banco Mundial anunciaram as suas “ofertas financeiras” sem apresentar qualquer prova da existência de respeito pelas exigências que condicionam a sua concessão.
Por tudo isto, os prognósticos para os próximos meses não podem ser mais sombrios. O regime de Kiev não mostra qualquer intenção de regressar aos Acordos de Minsk de 2015, que previam uma solução política negociada para o problema ucraniano. Como Putin tem declarado, enquanto a clique actual permanecer no poder o conflito estará na ordem do dia.
O governo dos Estados Unidos e as instituições financeiras de Washington garantem que esse grupo permaneça no poder, através das generosas recompensas em forma de injecções de armas e capital. Mais preocupante é o facto de essa ajuda encorajar o regime de Kiev a elevar o seu belicismo contra a Rússia a níveis ainda mais irresponsáveis.
O Pai Natal, segundo a tradição, deve recompensar as meninas e os meninos bem comportados. Para Washington, porém, os presentes são distribuídos a um criminoso regime neonazi, com as mãos sujas de sangue.


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